terça-feira, 22 de outubro de 2019

Ela e eu

Então sobramos nós de novo.
A noite e eu.

Afinal, era exatamente isso o que eu queria. E assim desejei, imaginei, projetei e o fiz real. Aquele velho conselho estava certo, quando dizia: "Cuidado com o que você deseja. Porque acontece".
E aconteceu.
Me lembro do dia que calmamente sentei na beirada da cama olhando para a parede dividida pelas duas janelas de lata. O salmon da parede com o bege das janelas me trazia pouca ou nenhuma distração, me fazendo naturalmente pensar, e pensar, e pensar.
Embora no fundo soubesse que, o que devia estar pensando era, de fato, em uma solução ou um caminho pelo qual pudéssemos seguir - eu e alguém, até então - de qualquer maneira, não. Eu não conseguia.
Na verdade, confesso, nem tentava. Já estava tudo tão certo para mim, como já vinha sendo certo por semanas, talvez meses. Talvez não, com certeza, meses a fio e eu sabendo exatamente o final do filme como se desenrolaria, enfim.
Era a hora de ir.
Por isso durante aqueles longos minutos, quiçá uma hora, pensava mesmo era em como iria fazer dali pra frente. O que iria fazer, e com quem, e por quanto tempo. Um checklist mental super detalhado, calculado e organizado delicadamente pela minha cabeça metódica e fria. Imaginava minha nova velha vida, sonhos que podia realizar, planos que concretizar-se-iam a partir de então. Refletia também sobre o porquê de isso não me causar absolutamente qualquer dor, quando deveria.
O que foi que aconteceu com a dor do amor?
Bem...não pode existir dor de amor quando não existe amor.

Mas assim? Simplesmente se foi? - me questionava sem lembrar de toda a tortura e das agruras que o tal do amor me trouxe.

Até que lembrei.

E fui. Ao encontro dela, minha eterna companheira, que embora me faça só, jamais me deixa só.

Então somos somente eu e ela. Somente ela.

E eu.

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