As luzes se apagaram. A cortina se fechou e, finalmente, era hora de ir para os braços da noite. A boa e velha. A minha eterna anfitriã, ah, como senti saudade.
A lua cresceu pela metade na tardezinha daquela segunda-feira. Como diria o inesquecível poeta: vermelha e amarela. Porém, após a hora do espetáculo, ela já estava brilhante e linda no topo do céu. Um imenso farol.
Decidi então ir até a beira daquele lago, pensando durante o caminho se ainda estaria lá me esperando depois de todo esse tempo. Apesar da minha boa relação com eles, não entendo nada de lagos. Mas como nada daria errado para mim naquela noite, parei o carro e caminhei por dez, talvez quinze minutos naquela trilha, iluminada apenas por Luiza.
E quando cheguei, quase que não podia acreditar. As árvores em volta haviam crescido, formando duas paisagens. Uma real, e outra projetada ali, nas águas silenciosas e totalmente imóveis. Um espelho, uma pintura, no sentido mais literal da palavra, incrível.
Cheguei mais perto. Olhei para o lago e, tal como o abismo, ele me olhou profundamente. E me mostrou tudo aquilo que eu precisava, então, ver com meus próprios olhos.
Era eu.
Aqueles olhos penetrando os meus e a angústia que nunca some. Os cabelos agora longos e as mãos grandes na posição do pensador.
Eu estava ali.
E ali fiquei. Em um processo de reconhecimento constante, olhando as diferenças e percebendo os detalhes que ainda permaneciam. Foi longo. Foi louco. E ainda que ja esteja aqui de frente para a folha branca, a imagem do lago não me sai da cabeça e a continuo contemplando.
Sem deixar que me engula como engoliu Narciso. Sem deixar que me leve para o fundo, eu olho em tom de admiração. Por uma estrada que me levou para tão longe, mas que agora me trouxe de volta.
Que o lago nunca seque.
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