domingo, 2 de abril de 2023

Inferno

Estar ali era providencial
Como é difícil viver assim
Sempre à sombra
No escuro
Sem pistas
Sem dicas
Sem qualquer informação que poderia,
Sim
Ser facilmente dita

Porém, não
Me vejo deixado assim, perdido na selva
E o pior, propositalmente
Talvez com o mais cruel dos fins
Que é o de me torturar
De me ver a buscar
Sofrendo, e no fim, rastejando
Por um pouco de luz
Neste túnel

Estar ali era necessário
E providencial
Pra poder olhar toda aquela gente dançando
Cuja expressão denunciava a quantia de álcool
E o rebolado, a quicada, a dancinha
As fazia esquecerem seus valores
Sim, eu tinha que ver
Seus olhares sedentos por algo
Fosse eu ou qualquer um ali

Pude reproduzir cada detalhe em si
Recriar toda a cena que já havia visto
Daquele desrespeito em carne crua
Da pouca habilidade em ser vadia
Coisa que um dia já valorizei, e muito
Olhar pelas paredes, procurá-la
Imaginar os olhos imaturos
E os outros que naturalmente julgavam
Aquela que parecia tão comportada

Então, joguei o jogo
Usei as mesmas cartas, bem criança
E vi que a consideração é mesmo, minha
Que na vez dela, é claro, não daria certo
Jamais me atenderia, ou abriria a porta
A cada vez que me vejo sozinho
Percebo a narcisista patinando
Não sei se consigo ter alguma pena, ou algum dó
Deste inferno que um dia hei de sair

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