Eu vou ao limite.
Sempre me gabei por saber meu limite.
Na verdade, o que eu não conhecia, era o conforto.
Finalmente, após meus anos de miséria, eu consegui.
Hoje reconheço diminutos.
Me permito, então, machucar-me com os tais
Que perfuram meu peito como adagas
Enquanto realizo meu sonho de criança
E canto backing vocals de Zezé di Camargo
Ao mesmo tempo em que sei as notas
De cada instrumento do CD
Coisas simples, até bestas, que ninguém nunca nem viu
Mas que de alguma forma, sim
Definiram minha vida como um todo
Talvez nunca, essas pessoas saberão
Que teria acontecido, caso um dia
Tivessem visto, só um dia, esse talento
Tranco-me em casa
Bebo meu álcool
Ganho uma grana
Um novo limite, então surge
No qual permito-me, sim
Desmaiar, vomitar, no sofá
Cair no tapete, tornar-me criança
Engatinho até o quarto
Esqueço a vergonha
E a dignidade
Não penso que é justo
Mas engulo o choro
Fizeram comigo
Que pena, tadinho
Só resta a paulista
A avenida Europa
Que um dia já foi
A bonita da Augusta
Eu lembro de tudo
Inclusive de hoje
De ontem, de agosto
Principalmente de setembro
Do tombo, da luta, da surra, e do medo
Eu sinto vergonha
Como é duro, meu Deus, nos dias de hoje, um poeta morrer
Queria brigar, mas as luzes se foram, a cidade apagou
Só sobrou o choro e o ranger de dentes
O inferno é aqui e
onde será
o céu?
Talvez entre os cachorros, lá na costa leste
Que a cerveja era boa e trazia uma paz
Eu não aguento mais
Sinto dor de cabeça
Eu me sinto cansado
E preciso da neve
Que só tem lá no norte
Que eu já sei que me espera
Já que o mundo ainda tenta me parar
Luto contra, sou teimoso
Não amoleço
Sei que estarei sozinho
Mas estarei ali
Assistindo meus filmes
Me teletransportando
Pra todos os lugares
Menos pr'onde me esperam
Menos onde me enganam
E fingem que querem
Fazer-me algum bem.
Como é que pode eu ainda cair nesse tipo de presepada, meu Deus.
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