De lá, do palco, eu a vi.
E sei que era ela, jamais iria confundir
Aqueles olhos grandes, a boca, grande, e também o quadril
Eu sou grande, e gosto de tudo assim, grande
Por isso a vi, e em uma fração de segundo, me teletransportei
Para dois mil e oito, aquela balada, naquele lugar
Que sou capaz de reconstruir todinha, agora mesmo
Só que, desta vez, foi diferente
Como na matrix, o eu de agora, quase quinze anos depois,
Se encontra com aquela mesma versão dela
Uma até mais bonita, e charmosa, eu diria
Mas isso é porque eu sempre fui muito apaixonado
Pelas suas curvas, suas medidas, e sua potência aquariana
[Minha filha vir aquariana foi uma vingança do destino
Para que eu sempre me lembre daquele tipo de ser que eu não sou capaz
De controlar
E no fundo, ainda desejo, que ninguém seja
Porque ela não merece isso
Nem mesmo de mim.]
Mas quando a vi, sorrindo e cantando as músicas que eu fazia
Imaginei, por um instante, que estava em um episódio de Black Mirror
Ou de Dark, ainda que eu nem tenha assistido
Onde nos encontramos e eu tivesse que, sim, conquistá-la tudo de novo
Só eu sei o esforço que foi
Perdi meu estômago e minha dignidade
Pela aventura mais intensa e louca que já possa ter vivido
Um barco sem porto, sem rumo, sem vela, cavalo sem sela - o poeta me ajuda, obrigado
Um bicho solto, cão sem dono
Era simplesmente, assim.
E essa noite não foi diferente.
A rainha do deserto estava lá. Em minha frente.
Arrogante, prepotente, metida, cruel
E incrivelmente apaixonante
Agora, diferente daquela noite, onde ousei me aproximar
Desta vez, ela se foi.
Ainda bem que o poeta sabe o que faz.
E me dá tudo em partes, pequenos pedacinhos
Ao longo da minha vida toda
Para que eu junte-os e, só então, resolva o enigma
Amanhã de manhã
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