sábado, 30 de abril de 2022

Riddle

De lá, do palco, eu a vi.

E sei que era ela, jamais iria confundir

Aqueles olhos grandes, a boca, grande, e também o quadril

Eu sou grande, e gosto de tudo assim, grande

Por isso a vi, e em uma fração de segundo, me teletransportei

Para dois mil e oito, aquela balada, naquele lugar

Que sou capaz de reconstruir todinha, agora mesmo

Só que, desta vez, foi diferente

Como na matrix, o eu de agora, quase quinze anos depois, 

Se encontra com aquela mesma versão dela

Uma até mais bonita, e charmosa, eu diria

Mas isso é porque eu sempre fui muito apaixonado

Pelas suas curvas, suas medidas, e sua potência aquariana

[Minha filha vir aquariana foi uma vingança do destino

Para que eu sempre me lembre daquele tipo de ser que eu não sou capaz

De controlar

E no fundo, ainda desejo, que ninguém seja

Porque ela não merece isso

Nem mesmo de mim.]

Mas quando a vi, sorrindo e cantando as músicas que eu fazia

Imaginei, por um instante, que estava em um episódio de Black Mirror

Ou de Dark, ainda que eu nem tenha assistido

Onde nos encontramos e eu tivesse que, sim, conquistá-la tudo de novo

Só eu sei o esforço que foi

Perdi meu estômago e minha dignidade

Pela aventura mais intensa e louca que já possa ter vivido

Um barco sem porto, sem rumo, sem vela, cavalo sem sela - o poeta me ajuda, obrigado

Um bicho solto, cão sem dono

Era simplesmente, assim.

E essa noite não foi diferente. 

A rainha do deserto estava lá. Em minha frente. 

Arrogante, prepotente, metida, cruel

E incrivelmente apaixonante

Agora, diferente daquela noite, onde ousei me aproximar

Desta vez, ela se foi.

Ainda bem que o poeta sabe o que faz.

E me dá tudo em partes, pequenos pedacinhos

Ao longo da minha vida toda

Para que eu junte-os e, só então, resolva o enigma

Amanhã de manhã

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