domingo, 12 de julho de 2020

Quebrei

Mas juro que não queria.
Quem me conhece, sabe. Não que seja necessário dar qualquer explicação a essa altura do campeonato.
Independente disso, eu estava lá.
E agora aqui, olhando para o teto com toda a culpa do mundo, eu sei. Caí exatamente onde NÃO deveria estar.
Quando cheguei, foi imediato. O arrependimento foi subindo, por cada um dos ossos, espinhas, costelas. 

Pelo amor de Deus, o que é que eu estou fazendo aqui?

Por que é que eu fui topar um negócio desses?

Acontece que, apesar de qualquer questionamento, enfim. No final, eu estava lá.
E agora eu sinto.
Ódio.
Raiva.
Medo.
Horror.
Tristeza.
E depois de voltar e deixar as roupas de lado, guardar os carros, ajeitar tudo.
Eu choro.

O choro de um capricorniano começa, principalmente, porque primeiro: não valeu.

Não valeu nenhum daqueles sorrisos falsos e sem graça nenhuma.
Cada uma daquelas notas que, no final, renderam algum dinheiro, não tiveram o menor gosto de dever cumprido.
Pelo contrário.
Deram a impressão de que a qualquer momento eu posso morrer e, se não, posso levar toda a minha família.
Talvez eu me perdoe um dia por isso.
Mas apesar disso.
Apesar de tudo, como sempre.

Eu me arrependo.

Porque botei - quase como sempre - o dinheiro em primeiro lugar.
E quando vi, já não tinha volta. 
E me senti como disse o texto que li outro dia: um otário. E olha que - de novo, quem me conhece, sabe - não tenho vocação pra isso, não. 

Eu não gosto de gente burra. Porque gente sem acesso é tão diferente e porque eu respeito, muito, muito.
Mas não respeito gente burra. Nem gente idiota. Muito menos gente idiota e burra.

E esse, definitivamente, era o caso.

Um bando de gente com menos dinheiro do que gostaria, se achando dona de mais do que tem. Bem típico. A boa e velha falta de consciência de classe imperando no ambiente de extrema direita de carteirinha.

E eu.

Ali.

O bobo da corte. O mico. O palhaço. A atração principal.

Volto pra casa com o bolso cheio de dinheiro e uma vida com bem menos dignidade. Tenho ânsia de vômito e não consigo soltar. 
Eu adoro ganhar dinheiro. E se tem uma coisa que eu gosto mais do que ganhar dinheiro, é tirar o dinheiro de burguês safado - obrigado, Mathias. 

Entretanto devo confessar que, desta vez, não teve graça. O risco não valeu, e ainda que fossem dez vezes mais, mesmo assim, não teria valido nem mesmo um tostão. 

Lembrei daquela cena que sempre, e desde sempre, tanto me impressionou. You suck.

Dudes...you suck.

Vocês são nojentos.

E eu espero, de todo o coração, não morrer por causa de nenhum de vocês.

Cambada de filho da puta.



*texto escrito exatamente um mês atrás. Agora me sinto seguro, sem sintomas, e pronto pra confessar essa burrada.


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