terça-feira, 10 de março de 2020

Cerveja

Me lembro de quando nos vimos pela primeira vez...

Você chegou e encostou no balcão, perto de mim. Não deu pra não reparar em como eras linda e em sua pele branca ou em como você brilhava. Reluzia. Sua roupa parecia um pouco rasgada, mas honestamente, pouco me importei com isso.

Naquela noite, até onde me lembro, eu estava mal. Normalmente eu estou mal, então não que fosse novidade.
Mas depois que você chegou, logo percebi que meu humor mudou assim, num estalo, de uma hora pra outra. As pessoas no balcão também repararam, e até brincaram: "você tá querendo ela e dá pra ver que ela quer você".

Não me preocupei muito em seduzi-la, confesso.

Desde então, visto que já faz algum tempo, têm sido encontros e desencontros. Algumas vezes, antes mesmo de você chegar, eu já havia me ocupado com outra opção. Que posso fazer? Assim sou.
A melhor parte é que você sempre me diz "tudo bem". Não importa. Estarei aqui quando você voltar.

Acontece que eu sempre volto. Pra você.

Como esta noite, por exemplo, em que resolvi ficar. E assim, ficamos.
Que beijo bom você tem. Entorpecente e lícito, um paraíso.

E este som que soa enquanto sinto teu gosto é como um gemido de prazer instantâneo. Você me quer e eu te quero, então por que negar? Sigo para mais uma dose, e mais uma, e mais uma...

Te trago pra mais perto, porque é assim que te quero.
Te ponho no meu colo, porque és pequena e assim posso levar-te como quiser. Tu e eu, eu e tu.

E terminamos a noite com você acabada.
Comigo olhando pra você em êxtase, embriagado, ébrio, inerte, imóvel.

Deixamos para continuar outro dia...

Amanhã, quem sabe?

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