É, parece que sim.
Parece que assim
como tatuagem
o amor vicia.
A dor vicia.
E o que será
no meio disso tudo
que dói mais?
Qual será a agulha?
A mais fina?
Aquela tripla, de pintar?
Ou a do seu olhar
nos levando
pra uma outra
dimensão?
Qual será a agulha
que dói mais?
Parece que
do mesmo jeito
que a gente volta
se tatuar
porque gosta da sensação
da dor
do som gostoso
que faz
a máquina.
A gente volta,
e tira a roupa
e a pele nua
é penetrada
rasgada,
perfurada.
A gente volta
porque gosta da sensação
da dor
do som gostoso
que faz
aquela voz.
Deve haver
alguma boa
explicação,
uma razão
um porquê,
da gente abrir
nosso corpo
estender
entregue à mesa
e olhar nos olhos
da pessoa que
em breve vai
nos causar
tanta dor.
E a gente ainda paga,
veja só!
Paga caro.
Custa caro,
e com razão.
Porque é pra sempre.
Pra sempre
vai estar ali
com a gente.
Feito tatuagem.
Porque o amor,
pelo que parece,
vicia.
Como tatuagem.
E parece que sim
parece que assim,
como tatuagem
- quem tem amor,
e quem tem tatuagem
sabe... -
a dor
também passa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário