Pensei que seria mais difícil começar.
De fato, nunca foi algo assim, tão surpreendente – ao menos para mim. Ainda sim, só de olhar a folha branca quase que dançando como na velha máquina de escrever todavia esteja nessa versão super digital com retina e tal e coisa, confesso que me emociono.
Quase escrevi que não sei porque fiquei tanto tempo sem esse vício que são as palavras. Entretanto, como mentir assim, descaradamente, depois de todos esses anos? Uau, anos!
Cá entre nós, eu sei, sim, porque deixei de escrever. E ainda espero abrir o coração pra falar disso sem medo ou culpa.
Por enquanto, o que importa de verdade é que estou aqui e...ah, estou me sentindo vivo.
É uma fuga, e eu preciso dizer. Estou no território proibido, na zona perigosa, na mira, no alvo. Ao escrever, dispo-me às três da manhã e caminho pela Paulista. Abro os braços agora cheios de marcas e imploro: “Me mutile! Me violente! Até me matar!”.
Escrever é o primeiro ato de coragem em meio aos tantos acovardamentos dos últimos dias, meses. Anos (ao menos, por hora) não.
Deixo as palavras correrem pelo meu corpo. Abro as portas do meu coração para que saiam, percorram o caminho natural da consciência, passem pelas mãos cuidadosas e artesãs do pensamento, até deslizarem pelos meus nervos para que assim então caiam como uma luva nas pontas dos meus dedos.
Penso em como teria sido diferente se elas tivessem caído, em vez disso, na minha língua, prontas para serem disparadas como uma metralhadora sem controle nas mãos do recruta.
Não.
Não sou mais um iniciante. E por causa disso, tenho dores de garganta tão frequentes.
Despeço-me esclarecendo a você que lê, que enquanto escrevo e posto, você não estará lendo. Não posso, não podemos. Não é seguro (já até disse, não?). Obrigado por ler o que não podia ler até então.
Que todos entendam o que eu não consigo.
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