Então, no terceiro dia, acordou.
Não, não havia uma pedra fechando uma caverna. Havia, dentre tantas coisas, a janela, a varanda, e o céu que já trazia o sol pra ser sua companhia.
E havia ela.
Ela estava lá, debaixo do mesmo cobertor e servindo de colo para que os dois, todo tortos naquele sofá, sequer percebessem que adormeceram em meio às próprias palavras.
Infinitas palavras.
Ao abrir os olhos, ousou acompanhar o movimento da luz do sol cortando os prédios e desenhando romanticamente um céu de nuvens e sombras. Tentou recuperar o último assunto da noite, sem sucesso.
Após dois, três...quatro momentos de puro êxtase na madrugada, o vento frio entrou por baixo da porta e aquele colo parecia perfeito. Sabe que adormeceram, cansados e felizes, mas foi incapaz de se lembrar onde pararam.
Talvez com a mudança no ar, eis que a rainha despertou de seu sono, e logo sorriu...
- Dormimos!
- E agora, como vou decidir?
- Entre...?
- Melhor é dormir ou acordar com você?
(Riram. Bobos de dar inveja!)
- Deixa que eu te faço um café...
E a ouvindo fazer música de cozinha, vestiu suas roupas ali jogadas pelo chão. Olhava ainda para a varanda, imóvel, enquanto o sol ia chegando e invadindo a sala.
Com os raios, brilharam também cabelos louros, agora segurando duas canecas de café. Preto. Forte e quase puro, como deveria ser.
Sentiram a mistura dos perfumes com o cheiro do café passado e trataram de entregar-se, um ao outro, num abraço...o sol, que agora perdia o medo, deu toda a cor para a cena mais linda de todos os romances europeus.
Ficaram então ali, sabe-se Deus por quantos minutos, olhando-se nos olhos e profundamente mergulhando, sem medo, naquilo que não conheciam.
Chico estava certo: É preciso muitos anos de cotidiano pra saber o que é a verdadeira boca de café.
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