Eles existem. Estão por toda parte, a sujar cada um dos ambientes com suas asquerosas patas imundas.
São, muitas vezes, imperceptíveis. Noutras, pode-se distinguir assim, só pelo cheiro. Dão nojo, estas criaturas.
Primeiro convidam-te a entrar, assim, cordialmente. "Vem comigo?", dizem, atenciosamente.
Não temos outra alternativa, nós, os de alma limpa. Aprenda a jogar e jogue, ou caia fora. Aprenda a digerir, e engula! Ou, caia fora.
Todavia tome cuidado, olhe pra frente, perceba. Você pode se apaixonar, pode cair no véu do veneno, das vestes dos vermes. E então, um abraço! Já se foi mais um.
Inalar o seu cheiro entorpecente é quase alternativa inescapável, portanto inspire, espire, deixe sair esta droga de você. Toda ela, sem fragmentos, que podem se alojar aí dentro e fazer você começar a pensar como um deles. E se não tomar mais cuidado, a parte que fica será sempre maior, e terei de dizer novamente: adeus.
Os ratos estão a dominar cada um dos cantos da rua, dos bares, dos palcos e prédios, do topo dos ares, também dos mosteiros, e de qualquer terra debaixo do céu.
Cruelmente substituem os humildes, perfuram bondosas intenções, penetram por entre os corredores de paz e perfuram as veias onde corre sangue puro, envenenam, se envenenam, e mostram sua força assim quando se unem, exalando sua impureza e espalhando a discórdia.
...
Respiro e engulo em seco. Não é possível estar em um ambiente com muitos deles, e não se sentir assim, angustiado. Vejo alguns dos poucos que eu contava ali contaminados pela excrescência da imundisse, e respiro novamente.
Agradeço por não ter aceitado o convite, e por nunca deixa-me envolver pela fumaça do lodo que envolve aquela presença estuporada.
Eu estou de fora. Ainda bem, eu caí fora.
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