Naquele dia, deu certo.
Foi até difícil de acreditar, porque demorou tanto! Mas aconteceu de forma quase tão inusitada quanto ele havia imaginado. Como ela tanto temia.
E foi simples, como deveria ser. Ali, no corredor da maionese e da mostarda, ele comparava duas marcas despretensiosamente. Ela, entrou no corredor distraída empurrando seu carrinho discreto com algumas maçãs, creme dental e um vinho com o rótulo para baixo. Vai saber.
O que sei é que quando ela percebeu, não deu pra voltar atrás. Esses carrinhos não têm marcha ré. Era hora de encarar, engolir seco, disfarçar o coração na garganta...
-Ai, meu Deus...
- ...
- ...
- ...
Se ele tivesse derrubado os dois potes amarelos, seria cena de novela. Mas não, a vida não é assim.
- Oi?
- ...oi!
- Ai, desculpa!
E a abraçou. Era só o que precisava fazer, o que queria fazer, porque sabia o que iria acontecer...e porque aconteceu: foi correspondido. Desesperadamente correspondido.
- ...por que?
- Não me deixa mais fugir, vai? Faz alguma coisa?
- Posso te segurar aqui até fechar o expediente do mercado, comecei agora!
Ela riu. Claro que riu, porque ria todas as vezes, porque a moça mulher era encantada por aquele rapaz e pelo bom humor que vinha junto com aquelas duas covinhas.
Ele não. Fechou os olhos e, pra manter o mistério, só abaixou a cabeça e relaxou. O mundo precisava daquilo. O dele, e o dela.
Enfim, sós.
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