Em alguns momentos, até entendo porque é proibido tomar cerveja e dirigir. Eis o episódio:
Saio do trabalho aborrecido. Plena terça-feira, e em meio a toda a parte boa, péssimas notícias contribuem para o meu natural mau-humor, inevitável.
O barulho da ignição do carro carrega consigo um alívio, sinal de paz. Ao virar a chave, é como se ouvisse as turbinas do avião: é hora de partir.
Desço entre as ruas calmamente, e conforme tomo distância do que me apresenta perigo, começo a retomar a consciência. “Cerveja, cerveja, cerveja” digo a mim mesmo, quase como um mantra.
Ao parar em uma destas lojas de conveniência, compro 4 garrafas daquela minha preferida: hoje estou inspirado. Volto pra casa com pressa, quero apenas fazer o que pretendo, e sentir a deliciosa sensação de quando se está exatamente onde se queria estar, como se nada precisasse ser mudado naquele momento.
E quando me vejo, estou ali na varanda – ainda trajando social – bebendo calmamente e sentindo gelar a garganta e a alma, a cada gole, direto na garrafa. Vem um vento bom, sinto bem no rosto: agora sim, eu posso respirar.
Depois de mais alguns goles, na quarta garrafa, eu já me esqueci de tudo o que é ruim. Aliás, já estou sorrindo e cantando “You don’t have to say you love me” do Elvis, olhando pra garrafa quase como declaração de amor, e, claro, não dando a mínima para os vizinhos congelados e sem graça nenhuma.
Entendi, em uma breve reflexão, onde mora o grande perigo. Imagina se eu, numa destas, assisto “Natural born killers”, e saio por aí de carro?
Melhor, mesmo, fazer o que fiz.
Melhor ir dormir.
Me aproximo de um jeito que dê para te escutar. Aqui fora está fazendo muito barulho, então chego mais perto, permita-me.
ResponderExcluirMe deixe compartilhar este sorriso de boêmio maltrapilho e soprar aos teus ouvidos o quanto estamos vivos.
Não sucumba poeta.
A violência é encarnação da nostalgia.
É tudo parte de um cenário que não podemos entender, apenas compreender.