
O mundo chacoalha feito um chocalho, desaba, e vai lá pro alto. O mundo se mexe.
Eu olho pros lados, está tudo escuro. Por alguns buracos posso ver as luzes, se forma uma sombra minha a cada furo.
E é nestes buracos que me dão comida. É por estes ventres que posso ouvir vozes, querendo que eu fique, ali preso, pra sempre.
Por detrás de mim estão elas, as formas, que vêm me buscar e dizer-me o que querem. Eu olhos pros lados, está tudo escuro. Tenho vários corpos, e em todos me ferem.
Estou numa caixa, o mundo me acha, me joga pros lados. Estou numa lasca, o mundo me joga, me acha algum lado, encaixa e me fere, me deixa de lado.
Mas fico irritado, se logo me acham. Pois todos ja sabem onde é que me encontram! Se passo apressado, até me fotografam, se passo e disfaço, eles gritam meu nome...
Meu Deus!
Se saio da caixa por alguns instantes, estou em perigo, mas sabe? Se dane! Eu vejo este mundo, das ruas de fora, e eu quero distância, das luzes dos furos, que vêm lá da caixa onde cada minuto, se torna uma hora.
Me tirem daqui!
Vejo que não é só em meus céus que as noites caem como um grito num acesso de pânico.
ResponderExcluirMas eu já inventei uma agulha de luz para espetar a escuridão.
Te entrego.
Espero que de a ela alguma serventia.