Ah, mas ora veja, o que fizeste comigo.
Colocou em mim o teu veneno, sujo e entorpecente líquido. Sujou meu sangue, poluiu minhas veias, embaçou minha visão e encheu de cinza minhas emoções tão azuis.
Foi pra isso que passou em minha vida? Para me trazer a este quadro, que aprendestes a ser?
Não vale nem o esforço te dar estas palavras assim, diretas aos olhos, mas vale sim a indignação de perceber como deixou perto de mim esta realidade escura, má. É, vejo que é isso: tua realidade é má.
Agora que chego perto do que pode ser bom, já começo considerando apenas como uma chance. Enlaço-me em braços leves, navego em profundos sonhos, respiro um perfume puro. E mesmo assim, tenho medo.
Em paz, depois de tua partida, restou apenas meu sangue correndo em apuros, por entre as veias escuras até chegarem em uma sombra, o coração.
Faço uma prece por piedade, misericórdia. Anseio, aflito, a Deus: eu me quero de volta.
E sei que Ele me ouve.
Amém.
E Ele ouve, sempre! Mas não apenas ouve, como leva o peso dos ombros, a dizer que os sonhos ainda podem se pintar de azul, ou da aquarela que a ti é disponível. Junto, fecho os olhos em prece. Amém.
ResponderExcluirTem amor que é devastador
ResponderExcluirQuer tirar os ossos da carne. E depois abandonar a gente nos cacos das nossas lembranças.
Que coisa bonita, isso de querer se encontrar.