Todas as coisas têm a incrível habilidade de não ser. Tão óbvio como o fato de serem, simplesmente podem deixá-lo. Talvez para sempre, ou por qualquer período de tempo, não importa. As coisas morrem.
E a maneira mais difícil de constatar isso, claro, é sentindo na pele. A morte de um amor, de uma profissão, de uma época. Oh, céus, como é triste a morte do tempo, quando com o nascer do novo, morre e assim fica para trás. Já passou!, dizem, embora não resolva. Morre e nunca passa.
Vejo agora em quadros, todas as coisas que escaparam pelos vãos entre meus dedos. Se foram, e deixaram suas imagens, cheiros, gostos, vinculados a cada momento único. Existiram, e ouso parafrasear o poeta, "(...) em qualquer conjugação do verbo existir".
O que posso então, fazer, senão deixar as coisas morrerem? Por mais desesperadora que possa ser essa vontade de ser, tudo de novo, o que já se foi: aquele amor, a velha saudade, o velho sorrir descompromissado. Permito-me enterrar tudo onde, na prática, já está. Faltava mesmo era formalizar, triste ritual.
Cada coisa que morre em mim, me lembra o quanto faz diferença hoje aquela atitude tomada lá atrás. Me mostra o quanto sou desatencioso com as atitudes pequenas, atualmente. Droga, continuo. Então, embora todo o curso tenha sido alterado há qualquer tempo no passado, querer retomá-lo agora, redefiní-lo, é inútil. E a máxima continua válida: sempre.
Não, eu não quero vestir de novo aquela pele da qual já me despi. Não quero voltar a ser aquilo, mesmo que hoje eu seja pior ou melhor, não consigo comparar! São dois pesos, duas medidas, duas pessoas. O eu, que já morreu, e que não incomoda mais. E o eu que está vivo, e que precisa de muita coisa lá de trás para poder viver bem. Preciso juntar tudo de bom e me montar de novo, porque num desses morre-e-vive, me quebrei inteiro.
Preciso fazer com que determinadas coisas morram de verdade. Não, não irão aparecer novas delas. Virão outras, diferentes, em peso e medida. Outro amor, outra profissão, outra época. Que um dia, cá entre nós, também partirão dessa para melhor.
O que posso então, fazer, senão deixar as coisas morrerem? Por mais desesperadora que possa ser essa vontade de ser, tudo de novo, o que já se foi: aquele amor, a velha saudade, o velho sorrir descompromissado. Permito-me enterrar tudo onde, na prática, já está. Faltava mesmo era formalizar, triste ritual.
Cada coisa que morre em mim, me lembra o quanto faz diferença hoje aquela atitude tomada lá atrás. Me mostra o quanto sou desatencioso com as atitudes pequenas, atualmente. Droga, continuo. Então, embora todo o curso tenha sido alterado há qualquer tempo no passado, querer retomá-lo agora, redefiní-lo, é inútil. E a máxima continua válida: sempre.
Não, eu não quero vestir de novo aquela pele da qual já me despi. Não quero voltar a ser aquilo, mesmo que hoje eu seja pior ou melhor, não consigo comparar! São dois pesos, duas medidas, duas pessoas. O eu, que já morreu, e que não incomoda mais. E o eu que está vivo, e que precisa de muita coisa lá de trás para poder viver bem. Preciso juntar tudo de bom e me montar de novo, porque num desses morre-e-vive, me quebrei inteiro.
Preciso fazer com que determinadas coisas morram de verdade. Não, não irão aparecer novas delas. Virão outras, diferentes, em peso e medida. Outro amor, outra profissão, outra época. Que um dia, cá entre nós, também partirão dessa para melhor.
Pelo final da vida de minha avó, ela insistia em falar de morte. Nunca neguei assunto, falamos. E ela disse que tava cansada, que morte era pra se descansar. Não me mostrou medo, talvez um pouco de pressa: "já vivi muito", me disse. E depois da morte me veio ela diferente, me deixou viva uma consciencia, sua presença e sua mente aberta. E mais uma vez foi, para mim, um recomeço.
ResponderExcluirMarisa canta:
ResponderExcluir"Coisas vão se transformar, para desaparecer"
é verdade, a vida tende sumir. Bom sentir o gosto do que foi e não é mais.
Licença, sigo-te.
O pelotão de fuzilamento está louco atrás de mim. Querem abrir fogo. Já colocaram os sentimentos mais limpos irreconhecíveis. Tem caixão não, porque o estado deles já era líquido. Emoções hemorrágicas. Um rio se forma. Um rio de sangue. Lembro de mim antes de tudo ter se passado. Tento reviver-me. Mas a faca me recorda.
ResponderExcluirPipa.A que.
Ai, menino... seus textos estão caindo como luvas nos meus sentimentos... como é difícil viver o luto pelas coisas, e conseguir guardar delas apenas o que há de essencial, sem pego.
ResponderExcluirÉ difícil aceitar as perdas, mas se reinventar se torna cada dia mais trabalhoso...
Aos dias - não tão rápidos nesse processo - cabe nos ensinar que a morte é processo de reconstrução... Para tudo há o seu processo de passagem, e quando finda, na verdade se transforma, não há promessa de anestésicos, mas é o cal dos tijolinhos que vamos formando, construídos com tudo que já vivemos. Seremos castelos formados por todas as perdas e ganhos que vamos conquistando ao longo do caminho. A delícia é abrir os olhos para o que está nascendo, constantemente.
ResponderExcluirBeijos menino, te aprendo e te admiro em cada linha ou cada riso trocado em diálogo.