Essa é a estória do rei e de seu conselheiro. Todos os dias saía o rei para a floresta, pois gostava de caçar. O rei gostava de ser o caçador mais bem reconhecido de seu próprio reino e, por isso, praticava. Assim, como em todos os seus passos, ia acompanhado de seu conselheiro.
Não havia nada que o rei fizesse que seu conselheiro não o ajudasse, com as sábias palavras girando em torno de mil significados, dentro de seus conselhos. E assim seguiam, a caçar, os dois.
Porém em um destes dias de caça, ao tropeçar em um galho seco preso a algumas raízes de árvores, o rei caiu de frente para algumas flores cheias de espinhos. Ao esticar os braços para tentar se apoiar, o rei bateu uma das mãos em uma fatia cortante de uma planta. Com isso, o seu dedo mindinho foi cortado, amputado.
Com a ajuda de seu conselheiro, o rei fez um curativo e voltaram para o reino. Quando chegaram, o conselheiro lhe disse:
- Majestade, a perda deste dedo, foi a melhor coisa que te aconteceu!
Sem entender, o rei ficou irritadíssimo! Como pode o conselheiro, que sempre foi tão sábio, dizer uma grande besteira dessas? Como pode ser tão ousado? E tomado por essa ira contra o próprio conselheiro, o rei o prendeu e lá o deixou, sem a própria família, preso em seu castelo.
Depois deste dia suas caçadas começaram a ser assim, sozinhas, mesmo. Com algumas dificuldades de encontrar o caminho - afinal, sem a ajuda do conselheiro - o rei acabou indo parar em uma tribo de canibais! Desesperado, o rei foi capturado pelos canibais e, mesmo sem entender uma sequer palavra, sabia que seria devorado mais cedo ou mais tarde.
Porém, ao chegar o líder do grupo de canibais, o mesmo deu um grito bem alto, ordenando qualquer coisa que fosse parecida com um "Parem!". O líder chegou mais perto do rei, e apontou a falta de seu dedo mindinho. A falta de qualquer parte do corpo significava doença, imperfeição, o que impedia a tribo de devorar o aflito rei.
Assim no caminho de volta, mesmo voltando correndo para não encontrar com qualquer canibal faminto nunca mais, o rei só pensava em seu conselheiro. Quanta sabedoria! Pois se o rei não tivesse perdido seu dedo um dia, teria sido devorado pela tribo. Realmente, a perda de seu dedo, foi a melhor coisa que já lhe aconteceu.
Seguiu o rei direto para a prisão onde se encontrava o conselheiro, para lhe contar o ocorrido. Quando o rei terminou de contar da escapatória, pediu perdão ao conselheiro, por tê-lo prendido sem entender o que tais palavras significavam. Então, o conselheiro o respondeu:
- Você não precisa pedir perdão de nada, Majestade. A melhor coisa que me aconteceu, foi você ter me prendido aqui. Pois se eu não estivesse preso, e estivesse junto a ti, quem ia ser comido seria eu, afinal, tenho todos os dedos das mãos.
*Existem coisas em nossa vida que acontecem inesperadamente. O que aconteceu ontem, independente da dor irreparável, foi a melhor coisa que me aconteceu.
Conheci essa parábola através da minha querida avó, há mais de vinte anos. De vez em quando me deparo com situações que me fazem lembrar da minha avó e da parábola.
ResponderExcluirUma ótima lição.
Tudo o que passa passa para bem. Autor Tercival Campestre Barbosa.
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